  O NOVO INQUILINO DE LISBOA
Dia 22 de Setembro de 2010.Lisboa, Chiado. Local histórico acabado de remodelar. Chef jugoslavo e cozinha do mundo. Restaurante aberto até de madrugada...Uma história simplesA história do chef Ljubomir Stanisic e do 100 Maneiras é uma viagem. Ou várias. A caminhada inaugural acontece em 1997, quando o chef de origem jugoslava chega a Portugal. A segunda data de Fevereiro de 2004 e teve como destino final a baía de Cascais e o seu primeiro restaurante, o 100 Maneiras. A terceira jornada foi curta. De Cascais para Lisboa, em Janeiro de 2009, quando fecha o primeiro 100 Maneiras e abre o espaço do Bairro Alto. Acontece uma revolução. Redefine-se alta gastronomia em Portugal. A quarta viagem foi de longo curso. O percurso Lisboa-Montreal foi feito para participar no Festival Lumière, em Fevereiro de 2010, mas marcou o início de uma nova maneira de entender a cozinha para Ljubomir Stanisic. De Fevereiro até Setembro foi um passeio curto. Das ideias que trouxe do Canadá até ao conceito do Bistro 100 Maneiras, no Chiado, bastou um encontro... O encontro do chef com o espaço perfeito. Esse espaço é o antigo Bachus, junto ao Teatro da Trindade, um edifício de inspiração Art Déco. Uma sala histórica, ideal para dar lugar a uma actuação sem tempo. Porque o Bistro 100 Maneiras nunca terá idade. Um restaurante com passado, presente e futuro. Uma peça com três personagens principais num palco onde há espaço para tudo e para todos.Sem reservasA comida do Bistro 100 Maneiras é da autoria de um chef de renome, Ljubomir Stanisic, mas as inspirações são tradicionais – portuguesas, francesas, jugoslavas e do resto do mundo. Não foi de França nem da Rússia, mas da sua terra-natal, que Ljubomir importou o nome “Bistro”. Limpo e claro, significa em sérvio. Limpa e clara será a cozinha praticada aqui. Limpo e claro é o espaço, todo pintado de branco. Montreal provou a Ljubomir Stanisic que é possível fazer cozinha de alta qualidade com o saber (e os sabores) de todos os dias. No Bistro 100 Maneiras faz a comida de casa, a comida de tacho, de travessa, de gosto, o gosto dos outros, dele e de todos. Aqui, o cozinheiro jugoslavo mais português de sempre, faz questão de trazer o peixe no forno inteiro para a mesa, trinchar a carne na sala, tornar informal o que poderia parecer formal. Aqui, o chefe de cozinha nascido em Sarajevo e crescido em Belgrado, mostra o que aprendeu com a mãe, a sua grande inspiradora. Burek jugoslavo de queijo fresco e espinafres e Srpski Cevapi são nomes a constar na primeira ementa do Bistro 100 Maneiras. A tradução é livre, à vontade da experiência de cada um. Aqui, o mais politicamente incorrecto de todos os chefes de cozinha a trabalhar em Portugal, guarda uma secção da carta “para corajosos”, onde constam molejas, caviar, maranhos e demais entranhas e extremidades. O Bistro 100 Maneiras está aberto do almoço ao jantar, passando pelo lanche e petiscos e terminando na ceia. “No picanço” existem Farinheira com a broa ou o Burek jugoslavo. “Fora de horas” constam a Empada de carnes brancas e O Melhor Hambúrguer do Largo da Trindade. E quando “O resto é conversa”, passamos aos principais, como a já famosa Bochecha de porco com puré de aipo, o Risotto de cogumelos e camarão-tigre ou as Vieiras com espargos. No “Top 100” constarão os êxitos do 100 Maneiras, como a Grande lata de salmonete e o Borrego em pistaccio. E à saída, pode ser um Bolo de chocolate com gengibre e caril ou um Leite-Creme de baunilha, mas é e sempre será uma certeza: a certeza de um “Final feliz”.Aberto até de madrugada...O cinema é uma das paixões deste criador sem maneiras. A fotografia outra. A música mais uma. Por isso, no restaurante que é espelho da sua personalidade, Quentin Tarantino inspira as ceias e o Bistro abre até de madrugada (das 12h00 às 02h00; cozinha, até à meia-noite e meia). Por isso, duas das imagens de marca do espaço são fotografias inspiradas em cinema italiano e em “histórias” de Lisboa, assinadas por Constantino Leite. Por isso, o DJ Nelson Flip, amigo e sócio, é quem escolhe a música que passa. O chef é um amante do vinho... dos cocktails, dos espirituosos. Por isso, o balcão vai ser também bar, no bar serão servidas misturas concebidas pelos alquimistas do Cinco Lounge. E como de amigos se fará este espaço, as fardas são assinadas pelo designer de moda Aleksandar Protic, um dos mais criativos a trabalhar em Portugal. Há espaço para todos aqui. Para todos os gostos, atitudes, preferências, escolhas… e carteiras (haverá um menu económico de almoço). São dois andares, um balcão e uma sala privada, cerca de 80 lugares, um piso fumador e outro nem por isso. Com decoração de Ana Trancoso, o novo Bistro 100 Maneiras é um espaço que elogia a História. Por isso, na fachada mantiveram-se os painéis do artista Paulo Guilherme d’Eça Leal, famoso ilustrador, gravador, escultor, escritor, artista global. No interior pintaram-se os móveis antigos e permaneceram as curvas e contracurvas do bar. Construiu-se uma nova escada, envidraçou-se a garrafeira, pensou-se decoração. Queria-se um clássico moderno. Quer-se ficar na moda (para) sempre. A avistar o rio a partir das janelas do primeiro andar, a sentir Lisboa na calçada portuguesa à porta. Um local onde o bom gosto é para todos. |